Doenças Inflamatórias Intestinais

Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa – o que você gostaria de saber, mas tinha medo de perguntar

Você provavelmente nunca tinha ouvido falar sobre a Doença de Crohn ou Retocolite Ulcerativa.  E agora tem várias dúvidas. O que é? Quais os sintomas? Como o diagnóstico é feito? Há cura? Quais as opções de tratamento? Os riscos do tratamento? Vou poder estudar, trabalhar, viajar?

A Doença de Crohn (DC), juntamente com a Retocolite Ulcerativa (RCU) pertencem ao grupo das Doenças Inflamatórias Intestinais (DII). São doenças crônicas que atingem o tubo digestivo e podem causar sintomas como diarreia (às vezes com sangue), dor abdominal, perda de peso, febre e cansaço.

São doenças cada vez mais frequentes (nos Estados Unidos cerca de 1,4 milhões de pessoas são portadoras de DII), podendo atingir pacientes de qualquer idade, mas principalmente jovens dos 15 aos 25 anos. Não existe uma causa definida, provavelmente existem fatores genéticos e ambientais (alimentação, bactérias intestinais) que desencadeiam uma resposta inflamatória exagerada e persistente contra o nosso próprio organismo (reação auto-imune) – no caso contra o nosso próprio intestino.

A Doença de Crohn pode se localizar em qualquer região do tubo digestivo, da boca até o ânus, mas na maioria das vezes atinge a parte final do intestino delgado (íleo) e a parte inicial do intestino grosso.  Já a Retocolite Ulcerativa localiza-se no reto e cólon (intestino grosso). Os sintomas podem ser os mais variados, desde mais leves (em algumas situações o paciente pode não ter qualquer sintoma!)  até casos muito graves e incapacitantes. Além dos sintomas mais comuns de diarreia, dor na barriga, perda de peso e de apetite, podem haver outras alterações, como anemia, aftas, dores articulares, alterações de pele, alterações oculares. Além da piora importante da qualidade de vida, a maior preocupação são possíveis complicações que podem acontecer, como estenoses do intestino (estreitamentos), abscessos ou fístulas (comunicações do intestino com outros órgãos – como a pele, região anal, bexiga, vagina).

Para auxiliar no diagnóstico, temos inúmeros exames disponíveis. Exames laboratoriais (sangue e fezes) são úteis também para avaliar a atividade (intensidade) da doença, como a Proteína C Reativa e a Calprotectina Fecal. A Endoscopia e a Colonoscopia são fundamentais para o diagnóstico e para avaliarmos a intensidade da inflamação – onde o principal achado é a presença das úlceras na mucosa intestinal. É através do aparelho de endoscopia e colonoscopia que as biópsias são realizadas. O controle do tratamento (resposta clínica e a cicatrização da inflamação da mucosa intestinal) também pode ser avaliado através dos exames endoscópicos. Tomografia, ressonância magnética e ecografia do abdome são úteis no diagnóstico da doença, avaliação da intensidade da inflamação e também para afastarmos complicações como abscessos e fístulas). A cápsula endoscópica é um exame complementar considerado não invasivo que pode nos dar imagens de toda a extensão do intestino delgado.

Estamos falando sobre doenças crônicas, que infelizmente não tem cura, mas há inúmeras formas de tratamento para controlar e manter sem sintomas e para conseguir a cicatrização das lesões inflamatórias (cicatrização da mucosa).

As medicações disponíveis são:

Corticoides: medicações usadas por via oral (prednisona, prednisolona, budesonida) ou endovenosa (hidrocortisona) para tirarmos o paciente da crise. São usadas por tempo curto (lembre-se que estamos falando de uma doença crônica), não mais que 2-3 meses devido a efeitos colaterais quando do uso prolongado.

Antibióticos: o metronidazol e a ciprofloxacina são muito úteis para o tratamento de infecções associadas, especialmente fistulas perineais.

Derivados 5 ASA (salicílicos): a mesalazina é usada quando a doença é localizada no intestino grosso, principalmente quando é leve a moderada.

Imunossupressores: a azatioprina é indicada para pacientes que são dependentes do uso de corticoide ou pode ser utilizada em conjunto com a terapia biológica. Podem demorar 2 a 3 meses para ter efeito de controle da inflamação. Como pode baixar a imunidade, devemos fazer uma monitorização rigorosa com exames laboratoriais e controle de infecções. Também temos o metotrexato, medicação muito utilizada em conjunto com a terapia biológica.

Terapia biológica: São drogas utilizadas para pacientes com doença moderada a grave que perderam efeito da terapia imunossupressora, nos pacientes que precisam de corticoide para manter sem sintomas e para doença fistulizante. Também são utilizadas em pacientes em que temos indicativos de maior gravidade e com pior prognóstico de evolução da doença. Estudos científicos demonstram que, além da melhora dos sintomas (remissão clínica), conseguimos também a cicatrização da inflamação intestinal (cicatrização endoscópica).

Dentre as medicações biológicas disponíveis, dispomos de algumas opções, onde o médico especialista em manejo das Doenças Inflamatórias Intestinais irá, em conjunto com o paciente, definir qual a melhor opção. Citamos:

– Anticorpos anti-TNF: nesta classe temos disponíveis o INFLIXIMABE, ADALIMUMABE e o CERTOLIZUMABE-PEGOL

– Anticorpos anti-integrinas: o VEDOLIZUMABE

– Anticorpo anti-interleucinas:  USTEQUINUMABE

Tais medicações tem por objetivo controlar os sintomas, cicatrizar o intestino e desta forma reduzir a chance de evolução para as complicações da Doença de Crohn, como as estenoses (estreitamentos), fístulas e abscessos – os quais muitas vezes só são resolvidos com cirurgias. São medicações eficazes e seguras, desde que um acompanhamento rigoroso seja estabelecido. Imunossupressores e terapia biológica são usadas muitas vezes por tempo muito prolongado e como principal efeito adverso temos um risco aumentado de infecções. Por isso seu médico irá solicitar exames de triagem para tuberculose (contato prévio), hepatites, infecções urinárias, intestinais, respiratórias. A sua carteirinha de vacinas deve estar atualizada. Febre sempre é um sinal de alerta. E sempre avisar seu médico sobre aquele “simples resfriado”…

O objetivo do tratamento é pode controlar os sintomas e melhorar qualidade de vida. Permitir que você volte às atividades habituais sem se preocupar em procurar um banheiro. Ir normalmente ao trabalho (sem dor ou com medo de ter crises de diarreia), fazer suas atividades físicas, voltar às aulas, ou mesmo fazer aquela viagem.

Tire suas dúvidas com sua equipe médica e de enfermagem. A ENDOCLIN está sempre à disposição para  tirar suas dúvidas.

Sem medo de perguntar!

Terapia Biológica

A Endoclin conta com uma equipe multidisciplinar, composta por médicos, enfermeira, técnicas de enfermagem com treinamento para a infusão de medicamentos Biológicos. Nosso Centro de Infusão possui ambiente diferenciado, amplo com toda a estrutura necessária para a sua segurança e conforto na aplicação destes medicamentos especiais.