{"id":138,"date":"2019-01-16T09:39:51","date_gmt":"2019-01-16T11:39:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.endoclin.com.br\/site\/?page_id=138"},"modified":"2024-07-18T21:22:45","modified_gmt":"2024-07-19T00:22:45","slug":"doencas-inflamatorias-intestinais","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.endoclin.com.br\/site\/doencas-inflamatorias-intestinais\/","title":{"rendered":"Doen\u00e7as Inflamat\u00f3rias Intestinais"},"content":{"rendered":"<p><strong>Doen\u00e7a de Crohn e Retocolite Ulcerativa<\/strong><\/p>\n<p>A <strong>Doen\u00e7a de Crohn (DC<\/strong>), juntamente com a <strong>Retocolite Ulcerativa (RCU) <\/strong>pertencem ao grupo das <strong>Doen\u00e7as Inflamat\u00f3rias Intestinais (DII)<\/strong>. S\u00e3o doen\u00e7as cr\u00f4nicas que atingem o tubo digestivo e podem causar sintomas como diarreia (\u00e0s vezes com sangue), dor abdominal, perda de peso, febre e cansa\u00e7o.<\/p>\n<p>S\u00e3o doen\u00e7as cada vez mais frequentes, podendo atingir pacientes de qualquer idade, mas principalmente jovens dos 15 aos 25 anos. Estima-se que mais de 3 milh\u00f5es de pessoas nos EUA e na Europa tenham DII (1). No Brasil, t\u00eam-se notado um aumento importante na preval\u00eancia destas doen\u00e7as, com cerca de 0,1% dos brasileiros vivendo com DII em 2020.\u00a0 As taxas de preval\u00eancia foram maiores nas regi\u00f5es Sul e Sudeste em rela\u00e7\u00e3o ao Norte e Nordeste (2). N\u00e3o existe uma causa definida, provavelmente existem fatores gen\u00e9ticos e ambientais (alimenta\u00e7\u00e3o, bact\u00e9rias intestinais) que desencadeiam uma resposta inflamat\u00f3ria exagerada e persistente contra o nosso pr\u00f3prio organismo (rea\u00e7\u00e3o auto-imune) \u2013 no caso contra o nosso pr\u00f3prio intestino.<\/p>\n<p>A Doen\u00e7a de Crohn pode se localizar em qualquer regi\u00e3o do tubo digestivo, da boca at\u00e9 o \u00e2nus, mas na maioria das vezes atinge a parte final do intestino delgado (\u00edleo) e a parte inicial do intestino grosso.\u00a0 J\u00e1 a Retocolite Ulcerativa localiza-se no reto e c\u00f3lon (intestino grosso). Os sintomas podem ser os mais variados, desde mais leves (em algumas situa\u00e7\u00f5es o paciente pode n\u00e3o ter qualquer sintoma)\u00a0 at\u00e9 casos muito graves e incapacitantes. Al\u00e9m dos sintomas mais comuns de diarreia, dor na barriga, perda de peso e de apetite, podem haver outras altera\u00e7\u00f5es, como anemia, aftas, dores articulares, altera\u00e7\u00f5es de pele, altera\u00e7\u00f5es oculares. Al\u00e9m da piora importante da qualidade de vida, a maior preocupa\u00e7\u00e3o s\u00e3o poss\u00edveis complica\u00e7\u00f5es que podem acontecer, como estenoses do intestino (estreitamentos), abscessos ou f\u00edstulas (comunica\u00e7\u00f5es do intestino com outros \u00f3rg\u00e3os \u2013 como a pele, regi\u00e3o anal, bexiga, vagina).<\/p>\n<p>Para auxiliar no diagn\u00f3stico, temos in\u00fameros exames dispon\u00edveis. Exames laboratoriais (sangue e fezes) s\u00e3o \u00fateis tamb\u00e9m para avaliar a atividade (intensidade) da doen\u00e7a, como a Prote\u00edna C Reativa e a Calprotectina Fecal. A Endoscopia e a Colonoscopia s\u00e3o fundamentais para o diagn\u00f3stico e para avaliarmos a intensidade da inflama\u00e7\u00e3o &#8211; onde o principal achado \u00e9 a presen\u00e7a das \u00falceras na mucosa intestinal. \u00c9 atrav\u00e9s do aparelho de endoscopia e colonoscopia que as bi\u00f3psias s\u00e3o realizadas. O controle do tratamento (resposta cl\u00ednica e a cicatriza\u00e7\u00e3o da inflama\u00e7\u00e3o da mucosa intestinal) tamb\u00e9m pode ser avaliado atrav\u00e9s dos exames endosc\u00f3picos. Tomografia, resson\u00e2ncia magn\u00e9tica e ecografia do abdome s\u00e3o \u00fateis no diagn\u00f3stico da doen\u00e7a, avalia\u00e7\u00e3o da intensidade da inflama\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m para afastarmos complica\u00e7\u00f5es como abscessos e f\u00edstulas). A c\u00e1psula endosc\u00f3pica \u00e9 um exame complementar considerado n\u00e3o invasivo que pode nos dar imagens de toda a extens\u00e3o do intestino delgado.<\/p>\n<p>Estamos falando sobre doen\u00e7as cr\u00f4nicas, que infelizmente n\u00e3o tem cura, mas h\u00e1 in\u00fameras formas de tratamento para controlar e manter sem sintomas e para conseguir a cicatriza\u00e7\u00e3o das les\u00f5es inflamat\u00f3rias (cicatriza\u00e7\u00e3o da mucosa).<\/p>\n<p>As medica\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis s\u00e3o:<\/p>\n<p><strong>Corticoides<\/strong>: medica\u00e7\u00f5es usadas por via oral (prednisona, prednisolona, budesonida) ou endovenosa (hidrocortisona) para tirarmos o paciente da crise. S\u00e3o usadas por tempo curto (lembre-se que estamos falando de uma doen\u00e7a cr\u00f4nica), n\u00e3o mais que 2-3 meses devido a efeitos colaterais quando do uso prolongado.<\/p>\n<p><strong>Antibi\u00f3ticos<\/strong>: o metronidazol e a ciprofloxacina s\u00e3o muito \u00fateis para o tratamento de infec\u00e7\u00f5es associadas, especialmente fistulas perineais.<\/p>\n<p><strong>Derivados 5 ASA (salic\u00edlicos<\/strong>): a mesalazina \u00e9 usada quando a doen\u00e7a \u00e9 localizada no intestino grosso, principalmente quando \u00e9 leve a moderada.<\/p>\n<p><strong>Imunossupressores<\/strong>: a azatioprina \u00e9 indicada para pacientes que s\u00e3o dependentes do uso de corticoide ou pode ser utilizada em conjunto com a terapia biol\u00f3gica. Podem demorar 2 a 3 meses para ter efeito de controle da inflama\u00e7\u00e3o. Como pode baixar a imunidade, devemos fazer uma monitoriza\u00e7\u00e3o rigorosa com exames laboratoriais e controle de infec\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m temos o metotrexato, medica\u00e7\u00e3o muito utilizada em conjunto com a terapia biol\u00f3gica.<\/p>\n<p><b>Terapia\u00a0<\/b><b>avan\u00e7adas (terapias biol\u00f3gicas e pequenas mol\u00e9culas)<\/b>: S\u00e3o medicamentos utilizados para pacientes com doen\u00e7a moderada a grave que perderam efeito da terapia imunossupressora, nos pacientes que precisam de corticoide para manter sem sintomas e para doen\u00e7a fistulizante. Tamb\u00e9m s\u00e3o utilizadas em pacientes em que temos indicativos de maior gravidade e com pior progn\u00f3stico de evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. Estudos cient\u00edficos demonstram que, al\u00e9m da melhora dos sintomas (remiss\u00e3o cl\u00ednica), conseguimos tamb\u00e9m a cicatriza\u00e7\u00e3o da inflama\u00e7\u00e3o intestinal (cicatriza\u00e7\u00e3o endosc\u00f3pica) atrav\u00e9s destas terapias.<\/p>\n<p>\u2013 Anticorpos anti-TNF: nesta classe temos dispon\u00edveis\u00a0<b>INFLIXIMABE, ADALIMUMABE<\/b><b>\u00a0e GOLIMUMABE (<\/b>este \u00faltimo para Retocolite ulcerativa)<\/p>\n<p>\u2013 Anticorpos anti-integrinas: o\u00a0<b>VEDOLIZUMABE<\/b><\/p>\n<p>\u2013 Anticorpo anti-interleucinas:\u00a0<b>USTEQUINUMABE<\/b><b><\/b><\/p>\n<p>\u2013 Inibidor JAK (pequena mol\u00e9cula oral):\u00a0<b>TOFACITINIBE<\/b><b>\u00a0e UPADACITINIBE,<\/b>\u00a0utilizadas em pacientes com Retocolite Ulcerativa.<\/p>\n<p>Tais medica\u00e7\u00f5es tem por objetivo controlar os sintomas, cicatrizar o intestino e desta forma reduzir a chance de evolu\u00e7\u00e3o para as complica\u00e7\u00f5es das doen\u00e7as inflamat\u00f3rias, como as estenoses (estreitamentos), f\u00edstulas e abscessos &#8211; os quais muitas vezes s\u00f3 s\u00e3o resolvidos com cirurgias. S\u00e3o medica\u00e7\u00f5es eficazes e seguras, desde que um acompanhamento rigoroso seja estabelecido. Imunossupressores e terapia biol\u00f3gica s\u00e3o usadas muitas vezes por tempo muito prolongado e como principal efeito adverso temos um risco aumentado de infec\u00e7\u00f5es. Por isso seu m\u00e9dico ir\u00e1 solicitar exames de triagem para tuberculose (contato pr\u00e9vio), hepatites, infec\u00e7\u00f5es urin\u00e1rias, intestinais, respirat\u00f3rias. A sua carteirinha de vacinas deve estar atualizada. Febre sempre \u00e9 um sinal de alerta. E sempre avisar seu m\u00e9dico sobre aquele \u201csimples resfriado\u201d&#8230;<\/p>\n<p>O objetivo do tratamento \u00e9 pode controlar os sintomas e melhorar qualidade de vida. Permitir que voc\u00ea volte \u00e0s atividades habituais sem se preocupar em procurar um banheiro. Ir normalmente ao trabalho (sem dor ou com medo de ter crises de diarreia), fazer suas atividades f\u00edsicas, voltar \u00e0s aulas, ou mesmo fazer aquela viagem.<\/p>\n<p>Tire suas d\u00favidas com nossa equipe m\u00e9dica e de enfermagem.<\/p>\n<p>1. GBD 2017 Inflammatory Bowel Disease Collaborators. The global, regional, and national burden of inflammatory bowel disease in 195 countries and territories, 1990-2017: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2017. Lancet Gastroenterol Hepatol. 2020 Jan;5(1):17-30.<\/p>\n<p>2. Abel B. Quaresma, Aderson O.M.C. Damiao, Claudio S.R. Coy, Daniela O. Magro, Adriano A.F. Hino, Douglas A. Valverde, Remo Panaccione, Stephanie B. Coward, Siew C. Ng, Gilaad G. Kaplan, Paulo G. Kotze. Temporal trends in the epidemiology of inflammatory bowel diseases in the public healthcare system in Brazil: A large population-based study.<\/p>\n<p>The Lancet Regional Health &#8211; Americas, Volume 13, 2022, 100298<\/p>\n<p>3.Imbrizi M, Baima JP, Azevedo MFC, Andrade AR, Queiroz NSF, Chebli JMF, Chebli LA, Argollo MC, Sassaki LY, Parra RS, Quaresma AB, Vieira A, Dami\u00e3o AOMC, Moraes ACDS, Flores C, Zaltman C, Vilela EG, Morsoletto EM, Gon\u00e7alves Filho FA, Penna FGCE, Santana GO, Zabot GP, Parente JML, Costa MHM, Zer\u00f4ncio MA, Machado MB, Cassol OS, Kotze PG, Fr\u00f3es RSB, Miszputen SJ, Ambrogini Junior O, Saad-Hossne R, Coy CSR. SECOND BRAZILIAN CONSENSUS ON THE MANAGEMENT OF CROHN&#8217;S DISEASE IN ADULTS: A CONSENSUS OF THE BRAZILIAN ORGANIZATION FOR CROHN&#8217;S DISEASE AND COLITIS (GEDIIB). Arq Gastroenterol. 2023 Mar 24;59(suppl 1):20-50. doi: 10.1590\/S0004-2803.2022005S1-02.<\/p>\n<p>4.Baima JP, Imbrizi M, Andrade AR, Chebli LA, Argollo MC, Queiroz NSF, Azevedo MFC, Vieira A, Costa MHM, Fr\u00f3es RSB, Penna FGCE, Quaresma AB, Dami\u00e3o AOMC, Moraes ACDS, Santos CHMD, Flores C, Zaltman C, Vilela EG, Morsoletto E, Gon\u00e7alves Filho FA, Santana GO, Zabot GP, Parente JML, Sassaki LY, Zer\u00f4ncio MA, Machado MB, Cassol OS, Kotze PG, Parra RS, Miszputen SJ, Coy CSR, Ambrogini Junior O, Chebli JMF, Saad-Hossne R. SECOND BRAZILIAN CONSENSUS ON THE MANAGEMENT OF ULCERATIVE COLITIS IN ADULTS: A CONSENSUS OF THE BRAZILIAN ORGANIZATION FOR CROHN&#8217;S DISEASE AND COLITIS (GEDIIB). Arq Gastroenterol. 2023 Mar 24;59(suppl 1):51-84. doi: 10.1590\/S0004-2803.2022005S1-03.<\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\">Centro de Infus\u00e3o de Medicamentos Especiais<\/h1>\n<p>A Endoclin conta com uma equipe multidisciplinar, composta por m\u00e9dicos, enfermeira, t\u00e9cnicas de enfermagem com treinamento para a infus\u00e3o de medicamentos Biol\u00f3gicos. Nosso Centro de Infus\u00e3o possui ambiente diferenciado, amplo com toda a estrutura necess\u00e1ria para a sua seguran\u00e7a e conforto na aplica\u00e7\u00e3o destes medicamentos especiais.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-276 \" src=\"https:\/\/www.endoclin.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG_2043.jpg\" alt=\"\" width=\"379\" height=\"568\"  loading=\"lazy\" srcset=\"https:\/\/www.endoclin.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG_2043.jpg 534w, https:\/\/www.endoclin.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG_2043-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 379px) 100vw, 379px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Doen\u00e7a de Crohn e Retocolite Ulcerativa A Doen\u00e7a de Crohn (DC), juntamente com a Retocolite Ulcerativa (RCU) pertencem ao grupo das Doen\u00e7as Inflamat\u00f3rias Intestinais (DII). 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